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PREFACIO DE UM DIÁRIO DE BORDO




r.
Escrever sempre foi muito mais que uma forma de me expressar. É terapêutico revelador e visceral!
Gosto deste momento como de mim mesma.
E quando me disponibilizo para escrever para alguém, sobre algo, sinto uma grande alegria.
Bacana ser assim!
A minha relação de amizade legítima com o lápis e o papel é emocionante.
 São meus parceiros fiéis, meus confidentes e o que neles coloco são como filhos amados e cuidados.
Tenho ciúmes e os guardo.
Que horror! ...
Mas é.
Quando se dá vida a um texto e o expõe é tão difícil quanto um filho que cresce e vai para o mundo! Pronto! Já tem vida própria, não nos pertence mais.
Tenho percebido que sempre “escondi” o que escrevo por ser uma pessoa possessiva. Claro!
O argumento de que tenho vergonha ou mesmo que não quero me expor é fraco demais!
Também aquele cuidado em que tudo que se coloca no mundo corre riscos; de ser modificado, adulterado, mal interpretado e ser ultrajado por quem vai ler.
Com que boa vontade olharão para seu “filho”?
Que espécie de crítica e julgo ele será submetido?
Todos esses cuidados uterinos são inevitáveis.
Desde sempre que faço longas cartas, que transfiro sentimentos.
Tudo vai fluindo de maneira leve e vou registrando através da escrita, sentimentos diversos, sinceros e verdadeiros.
Não gosto de definição, muito menos que modifiquem minha emoção com correções gramaticais.
Sempre sou movida ao tema, ao sentimento.
Aquilo que me desperta, como me desperta... É bacana!
Escrever é como manter a alma lavada, o pensamento em dia e materializado.
É comprometer-me com a verdade momentânea.
É registrar o sentimento “in loco”.
É bom demais!
Não dá para ter medo de comprometer-me com a lembrança ou com a falta dela, porque é um registro fabuloso e uma prova igual do que se experimentou.
É registrar que se dedicou um tempo ao outro.
É assumir responsabilidade, mesmo tendo certeza de que um texto, uma carta, um livro, uma poesia enfim, tem vida própria.
Eu amo isso porque posso ser livre sempre, mesmo assinando.
Os intelectuais se tornam chatos porque “adoram” qualificar, rotular; tentam analisar e compreender demais o que quer dizer o autor.
O autor quer dizer o que diz.
O autor quer expressar seus sentimentos e aliviar-se.
No que sai do pensamento para o papel virou qualquer coisa que quem lê consegue entender ou alcança
Se for uma criatura sensível reconhecerá a alma inquieta do ser humano.
Se for um dramático gramático será mais uma polêmica da língua manifesta.
Se for um crítico!!!
Ih! Tudo é razão para se promover!
O fato é que escrever é um dom!
É vocacional, ou seja, um chamado...
É preciso muito mais que conhecimento gramatical e verbal.
É necessário o VERBO!
É preciso o olhar sentimental, uma criatividade genuína que passeia pela simplicidade e disponibilidade de doar-se.
É um ato generoso e uma atitude egoísta, porque precisamos do silêncio e do isolamento.
Embora jamais seja fechado, entre cada palavra...
o leitor pode abrir um parêntese e fazer uma VIAGEM!
Muito bom isso!








Livia Leão

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