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DIÁRIO DE BORDO - Confissões de uma ex-adolescente...

Sempre quiz em algum momento falar sobre um assunto que me intriga... quando ouço pessoas fazendo discursos em algum momento de grande importância em sua vida e que de repente se fala e agradece a pessoas, quando se atribue méritos e considerações por aquele momento, por chegar onde chegou por exemplo. Me sinto um ser de outro planeta porque não tenho como pensar desta forma... todas as minhas gratidões e sentimentos de vitória, posso dizer que foram meus mesmos em parceria com o Universo.
Nasci em uma familia que não tem  participação nas conquistar uns dos outros. Que não há "torcida" para que se vença nas mais simples e importantes situações. 
Isto com certeza é uma das mais profundas reflexões que faço todos os dias, para entender, para não deixar que me impessa de ir em frente, acreditando que posso e mereço, ainda que nenhuma pessoa que "considero" importante, esteja comigo no momento em que chego, onde quero chegar.
Claro, que a esta altura do campeonato e estando onde estou hoje, nada disso faz qualquer diferença, mas lá, na adolescência, onde não havia nem esse estímulo e credibilidade e sim zilhões de críticas e julgamentos cruéis. Muitos dedos apontados e expectativas de que fracassasse foram cruciais para que demorasse demais a saber o que queria, como queria e o que é pior, se merecia qualquer coisa de bom e que me desse o mínimo de confiança e auto-estima.
Então, tive que ser uma pessoa independente, uma pessoa forte, uma pessoa corajosa e poderosa por demais, cedo muito cedo. E sei que foi legal o resultado. Gosto muito da pessoa que sou hoje, me admiro e me considero uma vencedora.
Sei que ainda preciso de aprimoramento, que preciso cuidar de mim com muito mais carinho e respeito, mas fico feliz quando percebo as minhas inúmeras qualidades e conquistas. A vida tem um sabor maravilhoso e um cheiro delicioso da gente mesmo... vencendo as nossas dificuldades, escolhendo nossas experiências, encontrando grandes mestres para trocar; aprender e ensinar. Renovando nossos contratos o tempo todo, todos os dias; quando acordamos temos essa obrigação. Ainda que viciados nas mesmas coisas, no mesmo pensamento, nas mesmas pessoas, podemos se quisermos contratar outras inúmeras para nos enriquecermos ainda mais.
Existem zilhões de coisas maravilhosas, fascinantes, encantadoras no mundo, no universo entre as pessoas... se nos limitarmos perdemos o bonde, deixamos de experimentar e experienciar as mais ricas e diversas... se ficarmos então dentro de casa, pensando apenas nas pessoas que nasceram das mesmas pessoas nos tornamos limitados, infelizes, des-articulados e pobres.
Considero a familia biológica um lugar difícil de crescimento e de evolução.
Eles são inimigos íntimos, testemunhas que não precisamos, olhos que só vêm de cada um "defeitos", como se fossemos máquinas.
Não dá para amadurecer, não dá para ser um ser melhor, não dá para alçar grandes vôos quando se fica na casa da mãe, junto com irmãos, mesmo reconhecendo que os amamos "incondicionalmente".
Sim, porque se procurarmos motivos para amá-los não encontraremos!!!
Acho que existe algo muito maior embutido nestes sentimentos que rolam entre irmãos, em meio a tantos acontecimentos, a abandonos, faltas e ausências!!!
Terapias, conversas, com-vivências, rotinas, necessidades supridas e não supridas, enfim, zilhões de situações difíceis de serem analisadas e digeridas.
Mas que para mim são da maior importância entender, processar, falar, declarar, escancarar... deixar sair para aliviar.
Neste momento, depois de cinco décadas passadas, de muito buscar... posso dizer que sou uma pessoa feliz e do balacubaco.
Me construir foi uma trabalheira... é uma aventura maravilhosa da qual tenho o maior orgulho e  pretendo continuar até respirar pela última vez.
Não há nada que me fascine mais na vida do que esse processo. O meu grande e único projeto é me conhecer. É um dia me olhar no espelho e dizer sem nenhuma sombra de dúvida que me amo, que esse negócio de ser Livia Diamantina Leão é uma maravilha e que sou uma criatura leve, muito leve...
Não me ocupo em ser mulher, sempre me ocupei em ser uma pessoa, em me tornar um ser humano que faz diferente e que faz a diferença. Que as minhas atitudes são bacanas, que os meus feitos são sempre movidos e motivados pelo bem, intencionados para construir e agregar valores éticos. Com muita dignidade e integridade.
Todos os conceitos alheios não fazem eco sobre a pessoa que construi ao longo do tempo que estou por aqui como Livia. Tenho uma natureza repleta de qualidades lindas e as procuro dentro de mim pra colocar no mundo, através das minhas relações, no meu trabalho, no meu dia a dia que sempre foi avassalado por afazeres que muitas vêzes não faziam parte do meu projeto. 
Mas sempre encontrei um jeito de ficar só e em silêncio para escutar minha voz interior, para saber quem sou e o quanto de mim pude excercitar no momento em que estou manifestando qualquer coisa.
Sempre detestei "fazedores de cabeça", criaturas que precisam propagar suas verdades e manifestá-las através dos outros, dos que pouco pensam e discernem. 
Todos os meus mais terríveis erros, todos os meus mais lindos acertos foram nascidos e criados dentro do meu cérebro e da minha consciência que sempre foram meus melhores amigos e conselheiros.
Penso a vida de uma forma muito peculiar e a vivo também peculiarmente. Não tenho medo dos meus medos, não temo as minhas idiossincrasias. Adoro qualquer coisa que encontro dentro de mim. Umas quero manifestar, outras muitas guardo como pedras preciosas, tesouros que jamais serão violados por serem genuinamente meus. Agradeço sim, todos os DNA's, todas as heranças e "insights" alcançados no silêncio de uma natureza rica e abundante, de uma VIDA que nunca se encerra e que é maior do qualquer árvore genealógica; contém todas as sementes de infinitas possibilidades e traduz poder que não pode ser condicionado a nada ou a alguém... é da natureza é natural. 
Sou filha legitima do UNIVERSO!!! A ele confesso tudo que sinto, com ele compartilho tudo que sofro e que me faz feliz sempre o tempo todo, ainda que chore, que seja rabujenta, que ria e que me encante. Sou humana e amo a humanidade. Sou natureza e amo a natureza. Sou eterna e impermanente e já não me inquieto com isto. Adoro esse negócio de nascer e morrer todos os dias... pena que ainda não sei ser outra pessoa todos os dias... mas ainda chego neste lugar, onde a renovação seja algo visível, dinâmico, o tempo todo e todo o tempo. Deixar os vícios e condicionamentos. Libertar-me das pessoas e coisas... das comidas e das bebidas, das substâncias enfim, que despersonalizam, que coisificam, que tornam igual todos os dias cansativamente!!! Exaustivamente!!!
Precisamos dispor de enormes quantidades de energia para sermos tão repetitivos, durante décadas... para sustentar uma imagem permanente, para sermos identificados... do contrário as pessoas não saberiam ou pelo menos não poderiam versar sobre nossas vidas se não pudessem nos identificar como a mesma de ontem, de ante-ontem, de dois anos atrás, de cem anos enfim!!!
O maldito óbvio... de novo, de novo, de novo...!!!
Ao invés do "TUDO NOVO DE NOVO" (Moska) que seria bom por demais da conta...

Livia Leão

 

 

Em algum lugar dentro de nós sempre há a certeza de que um dia caberemos em nós mesmos!!! Vale a pena a busca, vale a pena sermos a mais verdadeira de todas as pessoas que quisermos ser... e por aí vai!!!
Livia Leão


 

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