terça-feira, 25 de maio de 2010

DIÁRIO DE BORDO - Deu branco!!! Está dando, aliás...



Está acontecendo algo peculiar, quando estou fazendo qualquer outra coisa as idéias surgem aos montes, os assuntos a serem falados por aqui aparecem que é uma beleza... enquanto que quando sento em frente ao computador... cadê?
"Varreu-se-me" tudo da memória!!!
Eu não posso dizer o quanto isso é bom ou ruim, só sei que tenho achado esse acontecimento interessante.
Está havendo um bloqueio no cérebro, um freio para reflexões, enfim, qualquer coisa que a qualquer momento vou alcançar!
Mas as coisas estão acontecendo, a vida está maravilhosamente boa, obrigada!!!
Ah! Talvez seja isso...
Estou leve e especialmente tranquila, em paz.
A dez dias atrás, lavando a louça do café comecei a pensar em um tio... tio Luis.
Tio Luis era um sujeito impar, tosco toda vida e ao mesmo tempo de grande sensibilidade. Tudo nele era mal trabalhado. A leitura que fazia da vida era confusa e perturbadora.
Por conta da nossa convivência e de todas as coisas que aconteciam mantinhamos contato com ele. Considerava a presença dele alguma garantia de segurança e manutenção de algo que ainda não consegui identificar.
 E acho até que a essa altura do campeonato é melhor não ficar investigando demais, para não sofrer decepções e chegar a conclusões que possam comprometer sua imagem fantasiada por estar criança... naquela época, claro!
O sentimento que construi por ele foi um sentimento regado a necessidade de ter alguém a quem pudesse atribuir amor, necessidade de amar.
Hoje compreendo um pouco o que era... considero a infância, aquele momento também em que crescemos e estamos buscando, procurando identificações, exemplos, refúgios, confiança, segurança, apoio... mas sempre fiquei na pista em relação a essas coisas porque "seu ninga" me patrocinou isso.
Quando muito eu conseguia inventar algo para atribuir aos adultos qualquer coisa que os justificassem em minha existência.
Sempre me vi sozinha, me senti sozinha, fora do contexto... bicho grilo total.
Era inadequada, e me cobrava demais o fato de ser absurdamente diferente.
Aliás, até hoje sou assim, só que com consciência e uma segurança e confiança conquistada a duras penas, com um esforço enorme para compreender e concluir que é do humano mesmo.
Tentei em minha reflexão pensar as coisas que experienciamos juntos com enorme boa vontade. Procurei atribuir qualquer coisa positiva e não rolou...
Todas as suas manifestações trazidas para o presente através da memória e da recordação me fizeram sentir uma melancolia incomodante... que na mesma hora tentei afastar, deixar onde está.
E não por medo de encarar os sentimentos e sensações, mas porque para que desenterrar os mortos?
Acho que com enorme boa vontade ele tentou nos acolher e cuidar de nós. Que dentro dos seus parcos conhecimentos e limites foi uma  presença.
Pode ser também que eu seja uma pessoa que não consigo hoje adicionar sentimentalidades onde não existe. Que não consigo mesmo inventar "afetos" ou ser afetada por um tempo e pessoas que já não estão aqui, por coisas que não me dizem respeito... e por aí vai...
O pensamento voltado para ele foi em função de ter por alguma razão perguntado a minha mãe o dia que seria aniversário dele porque até então não sabia e coincidentemente foi no dia 15/05... exatamente quando fiz a pergunta e estava com todas essas questões em aberto... invasão mente/espírito!!!
Acontece comigo quase sempre... e a vida continua e como as coisas se modificam, assumem formas e jeitos que não sabemos e que não reconhecemos, os nossos canais alcançam modelos de relacionamentos recheados de carências e recordações para nos mantermos e nos conectarmos!!!
Em um tempo que já não há e não dá para remendar...

Livia Leão





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Todas as formas de oração são perfeitos apelos em nos alinharmos com o que queremos, com o que se sente, com o que buscamos dentro de nós...