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DIÁRIO DE BORDO - Minimalismo e simplicidade!!!




Ser ou melhor praticar o minimalismo, ter uma vida simples, procurando de verdade consumir o mínimo e com consciência me faz um bem enorme.
Preciso do meu tempo livre, do meu olhar disponível para contemplar a Vida, para ver o que acontece com o movimento das outras zilhões de pessoas que circulam... que buscam, que fazem.
Quanto menos carrego coisas, mais fico feliz.
Toda sobre-carga me dá uma sensação horrível de prepotência e logo procuro me livrar.
Tenho certeza que há muita coisa inútil armazenada em espaço que ainda que não seja fisico poderia ser reservado a informações úteis, com melhor aproveitamento a nível de prazer e felicidade.
Abrir mão, deixar ir, confiar em que no momento em que nos des-apegamos de qualquer coisa ganhamos um bocado de liberdade.
Para mim funciona super bem.
É uma das mais lindas escolhas que já fiz como prática em minha existência.
Não criar necessidade sem necessidade.
Pensar a vida sem muitos "tem quê", "preciso comprar", etc. etc. do gênero.
Claro que me encanto com muita coisa do mundo do consumo, das indústrias que geram riquezas para meia dúzia... mas que também traduzem trabalho para muitos.
Gosto de ver os que criam e os que fazem.
Os que pensam e os que materializam...
As mãos do artesão. 
As máquinas pensadas pelo Homem para facilitar a produção de bens de consumo.
A moda que vai e vem querendo se renovar, dando a sensação de que o tempo passou e que se repete sem saudosismo como falha de memória.
Bolsas, sapatos, relógios, pulseiras... adereços!!! Muitos adereços... para pouco corpo e armário para guardar... muita poeira para acumular!!!
E temos que contratar pessoas para limpar e organizar nosso acervo... quem sabe nosso futuro museu que poderá contar nossa história.
Dizem que "precisamos" guardar exames, radiografias, "atestados", receitas; ...

"- em 2001 o hemograma acusou qualquer coisa que já foi sanado... mas deixa lá, guardado! Quem sabe um dia posso precisar?"
Livros.
Livros... muitos livros. 
Sei que não os lerei novamente, mas estão ali, na prateleira.
Livro precisaria ser como dinheiro, moeda corrente... para circular informação, conhecimento... parado nas estantes de casa ou nas livrarias nada são.
Ostentam uma vaidade apenas em acumular  inclusive mofo, fungo e poeira.
Uma casa para caber quem habita nela com todo arsenal que traduz o "dono" com seus objetos de identificação.
Coisas de cozinha!
Pratos, talheres, potinhos, copos e taças... parados e em "des-uso".
Inúteis objetos de vidro, de louça... esperando os convidados que não vem.
Porque no dia a dia uso a mais barata e simples das canecas, fazendo sempre refeições corrida ou mesmo no restaurante mais próximo de onde estou ou estiver.
Precisamos de coisas para dizer quem somos. 
O nosso status é angustiante de ser mantido.
Por dar trabalho, por nos roubar tempo; O nosso rico tempo.
Precisamos inventar conceitos convincentes para justificar o nosso eterno "correr atrás". Exaurir toda nossa energia em cansaço inútil... de possuir e ser possuído.
Agenda social que cai no vazio das drogas e bebidas alcóolicas... vou me perder para depois me achar... monólogos gritados em reuniões com organização pensada para patrocinar encontros... "trocas de idéias"!? Não! Não há troca de idéia. 
Fuga da solidão e do isolamento, que faz pensar.
Somos gregário porque somos carente; não do outro mas de nós mesmo.
No momento em que vamos nos relacionar denotamos a inabilidade e pouca disponibilidade para tal.
Sim, porque falar muito não quer dizer se comunicar.
Falamos, falamos e falamos sem sequer dar conta do olhar do outro; sem dar conta de que a comunicação está des-igual; de que estou ali, mais uma vez por uma necessidade minha, por uma carência minha de falar, falar e falar.
Se o outro me ouvir ótimo, se não! E daí? Tanto faz...
Essa inadequação está cada vez pior, porque a solidão que patrocina os encontros estéreis induz a conversas repetitivas, enfadonhas, cansativas e desgastantes.
Saídas estratégicas usando de sinceridade ofendem porque nós gostamos mesmo é de ser enganadas.
E o mundo dos que precisam de "bajuladores" fica recheado, numeroso...
Para que me sinta no grupo, do grupo; podendo quem sabe ganhar algum prestígio, acesso a algum produto; fazendo parte de algum pacote.
Exibimos nosso currículo, contamos e cantamos aos quatro ventos como somos bons, indicados para qualquer coisa que nos interesse vendendo nosso peixe... torcendo para que o prato do chef seja "muqueca".
As amizades existem, claro! Não é de amigos que estou falando... as relações sociais que exigem um esforço enorme, verbas astronômicas para dar conta de presentes, idas e vindas;  noites sem dormir; envelhecimento precose, caídas homéricas no vácuo. A futilidade e banalisação do tempo em aplicabilidade frustra a gente porque nos inclui em situações des-agradáveis.
Ser mais um na multidão é a realidade de consumo. Quando vaidosamente pensamos que o gerente do banco liga para nós...!!! PERSONALITÉ...
Ele liga para vender o serviço dele... liga para um número e liga para "R$" ... Jamais para você! Até te reconhece, mas como uma possibilidade de  ganho, claro!
Mochila vazia é garantia de viagem leve e de espaço para o novo. 
Simplicidade é a certeza de sempre acertar nas escolhas. 
PRAZER!
Muito prazer.

Roupa limpa, escova para escovar os dentes; cama com lençol delicioso; banho com água corrente e um sabonete com cheirinho bom. 
Fechar os olhos e agradecer todo funcionamento do mundo.
Do mundo moderno, tecnológico, informatizado ou seja rico em informação. 
Prático, ágil se sabemos usar.
Usufruível!!!
Maravilhosamente usufruível. 
Possível em sustentabilidade.
Se nos tornarmos escravos... todo invento do Homem se perde.
As máquinas foram pensadas e produzidas para que nós humanos trabalhassemos menos e pudessemos ser livres, disponíveis para usar o nosso tempo nos informando, adquirindo conhecimento; evoluindo, crescendo, progredindo, qualificando nossa vida, sabendo quais são nossos interesses e quem somos.



Minimalismo e simplicidade não é apologia a pobreza, pelo contrário é a chance de nos enriquecermos, de nos educarmos, de nos aliviarmos do consumo sem consciência.
É a certeza de cura e reparo do adictismo que fecha todas as nossas janelas e portas, que viabiliza a felicidade substancial do silêncio e o dinamismo da mente leve e um corpo que se movimenta em um mundo com espaço suficiente para todos.
Casa para morar, comida para alimentar o corpo, escola para estudar; interesses despertados em acordos destinados ao bem estar da humanidade.
Façamos parte; cada um de nós, no seu quadrado...  com presença no presente e o todo se transformará o tempo todo para melhor em todas as dimensões de existir.
Não é fácil é simples!
Simplificar é uma das coisas mais difíceis para nós humanos.
Vale a pena tentar.
Pensem nisso!!!
Fiquem bem...
Cuidem-se bem!

Livia Leão


 

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