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DIÁRIO DE BORDO - Entendendo Arthur Schopenhauer

 
"O PRAZER CONSISTE APENAS NA SUPRESSÃO MOMENTÂNEA DA DOR, ESTA É A ÚNICA E VERDADEIRA REALIDADE."
Arthur Schopenhauer

Eu entendo o pensamento dele e suas angustias... sinto parecido... mas descordo quando diz que o prazer é "apenas" a supressão momentânea da dor porque o prazer é um recurso físico-químico, assim como a dor.
O nosso maior sofrimento é o poder cognitivo usado erradamente; onde colocamos o nosso olhar, como colocamos o nosso olhar em relação às nossas experiências ou então como interpretamos os acontecimentos fora de nós, causando reações físico-químicas equivocadas em nosso corpo biológico, em nossa mente consciente e em nossa alma inquieta e angustiada pelo aprisionamento que é ser um ser humano "encarnado", com inteligência cognitiva e emocional em desenvolvimento, desenvolvida, não importa. 
Somos atingidos, levados a reflexões porque as sensações vêm e precisam ser entendidas, analisadas, codificadas e decodificadas para que possamos compreender o que se passa em nosso organismo, bem como conduzir da melhor forma todo arsenal de sensações em nós, de zilhões de coisas que nos cercam e onde queremos e podemos colocá-las.
É muito enlouquecido, mas é libertador confiar no nosso orgão gerador ou melhor na nossa usina maravilhosa chamada cérebro.
Ele dá conta de tudo e de todos, porque tem uma capacidade infinita... descobrir isso é saber que essa verdade de A. Schopenhauer é momentânea.
O nosso organismo não suportaria só o prazer ou só a dor. 
A simultaneidade, a dinâmica dos dois é fundamental para o nosso equilíbrio em todos os níveis. 
Precisamos assumir o comando do nosso corpo ou de nossos corpos. 
Das nossas emoções, dos nossos sentimentos e sentimentalidades... precisamos tomar pé de como anda o nosso laboratório químico para não cairmos nas armadilhas das substâncias que estamos secretando... umas menos outras mais!!!
Comemos chocolate para termos a sensação do prazer, bebemos alcool para deprimir ainda mais o nosso sistema nervoso e liberarmos emoções e sentimos não confessados... e tudo é fisico-químico e é usado por nós consciente ou não para lidarmos com o que nos dá prazer ou dor.
Fazemos sexo para nos aliviarmos fisiologicamente e sentimos culpa quando não o fazemos com alguém que é considerado "legal" ou quando não inventamos uma afinidade ou sentimento que denominamos amor. 
Sentimos culpa quando não conseguimos desenvolver um sentimento qualquer por alguém que é da nossa familia biológica... enfim, essa alternância, os nossos antagonismos a ausência de uma auto-conhecimento e aceitação, desenvolve em nós essa bendita sensação de que o prazer é uma condenação ruim ou então algo que nos imprime culpas insuportáveis.
Somos reféns da nossa psique, da nossa falsa moralidade, dos des-encontros dos nossos corpos e dos des-entendimentos em relação a falta de auto-conhecimento e medo de sermos quem somos de verdade.
Somos reféns... de tudo. Do que consideramos ser nosso, das coisas que não nos conformamos em não possuir, das nossas vaidades pequenas e sem razão, de um apego aprisionador.
De uma realidade inexorável que insiste em se modificar e que não sabemos lidar.
E o cérebro que dê conta dos nossos ruídos... das inúmeras coisas, pessoas, afazeres, sentimentos, tarefas, obrigações, desejos de liberdade, paciência em lidar com tudo que pensamos que queremos ter em vontades passageiras como tudo que há.
O corpo é uma prisão, o nosso cérebro é que nos garante o resto... basta que aquietemos a nossa comadre fofoqueira, nossos pensamentos e conseguiremos alcançar um lugar tranquilo e calmo que insistimos em buscar onde jamais encontraremos.
É dentro de nós o melhor lugar para nos encontrarmos.
Os prazeres compartilhados são bons, as dores compartilhadas também... mas o melhor de todos os prazeres e de todas as dores estão em nós, consistem de nós.
O céu e o inferno que cada um de nós habita, fomenta porque acredita é uma escolha e um alcance.
Percebo isso o tempo todo no meu dia-a-dia, em como vou alcançando os acontecimentos que vou causando de acordo com as escolhas que vou fazendo, nos mínimos detalhes.
A busca dessa REALIDADE é em vão. Porque cada um de todos os seres humanos que habitam o planeta possuem a sua. Porque é o nosso olhar que constroi a realidade... porque os nossos sentimentos de prazer e de dor concretizam no mundo manifesto qualquer coisa... ainda que momentânea, ainda que impermanente...
E precisamos caminhar dialéticamente, entendendo que a repetição faz a perfeição, mas que é também um vício dos neuropepitideos.
Que o prazer e a dor são dois lados de uma mesma coisa, como a vida e a morte, o dia e a noite e por aí vai... que qualquer coisa que queiramos experienciar nos é permitido, não precisamos suprimir, reprimir... porque assim estaremos negando a vida, o crescimento e a evolução.
Negar um ou outro não é solução!!!

Livia Leão
P.S. Faço idéia em ser Arthur Schopenhauer!!! Ser o que somos é um exercício do balacubaco...






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